09 SET 2016

NÃO FRACKING NO BRASIL

Reginaldo Urbano Argentino, ambientalista, teólogo e presidente da Cáritas Paraná, Compaigns 350.org no Brasil e membro da COESUS –

Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida, esteve em Paranavaí nesse último mês para uma missão relevante ao nosso estado,

de extrema urgência política e social. O objetivo é garantir o engajamento dos movimentos sociais, religiosos e autoridades na luta contra

o fraturamento hidráulico ou FRANKING. Leia abaixo detalhes desta mobilização em entrevista exclusiva a nossa Diocese.

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O que é o FRACKING e quais os danos que ele causa na região onde é explorado?

O FRACKING, traduzido para o português como Fraturamento Hidráulico, é uma tecnologia para extração do gás de xisto retirado do subsolo a grandes profundidades. Através de perfurações são injetados até 30 milhões de litros d’água misturados com areia e 720 produtos químicos, muitos deles tóxicos e até radioativos. Essa mistura contamina o lençol freático, torna o solo impróprio para a agricultura, polui o ar e provoca doenças crônicas como o câncer. Além disso, as perfurações dos poços vão causando um efeito de “queijo suíço” ao provocar intensas explosões no subsolo para quebrar a rocha e liberar o gás metano, causando abalos sísmicos (terremotos). Também está intimamente associado às mudanças climáticas, já que o metano é dezenas de vezes mais poluente que dióxido de carbono. Portanto, FRACKING representa uma grande ameaça para o Brasil, que não precisa dessa tecnologia pois temos potencial para geração de energias renováveis, 100% limpas e seguras, como solar, eólica e de biomassa.


Quase são as consequências da extração do gás de Xisto na região onde for realizada?

É preciso entender que grande parte dos resíduos do FRACKING permanece no subsolo contaminando os aquíferos e enquanto pequena parte volta à superfície impactando o solo e ar diretamente.

Quando é feita essa exploração o solo fi ca todo degradado, não existe mais plantação e nem produção, e pior, depois desse processo não há como recuperar o ambiente. O FRACKING também destrói a vida das pessoas e de todos os seres. No local onde é feito o FRACKING, não existe mais água, qualidade de vida, e esse processo afeta todo o sistema imunológico, digestivo e as pessoas precisam usar máscaras, em fi m, esse é um processo apocalíptico de fato!

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Porque o interesse no estado do Paraná?

O subsolo de 15 estados  brasileiros já foi vendido pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para a indústria do faturamento hidráulico, e o Paraná é um deles. São 122 cidades que podem ser impactadas e estamos com a ameaça de mais 150 localidades entrarem no próximo leilão da ANP. O argumento econômico de que o petróleo ‘traz desenvolvimento com o pagamento de royalties’ é uma mentira, já que os severos e irreversíveis impactos ambiental, econômico e social podem se catastrófi cos a nossa po-



 “Muitos países, como por exemplo, a Alemanha, França e Israel, entre outros, já proibiram a extração do gás de xisto através do Fraturamento Hidráulico, ou FRACKING. O estado de Victória, na Austrália, acaba de banir a técnica. Outros países, como o Brasil, ainda ignoram o quão terrível são os resultados e as consequências catastróficas ao meio ambiente e às pessoas. É preciso agir, não podemos fi car parados esperando que mais uma vez tomem a decisão por nós. O Munícipio pode aprovar uma legislação que impeça qualquer extração e exploração em território municipal. Mas é preciso que nós compareçamos para dizer NÃO AO FRACKING antes que seja tarde. Você não iria querer abrir sua torneira e junto com a água estar saindo gás? Ou que seus filhos e netos bebam água contaminada? Por isso diga NÃO AO FRANCKING”. pulação. Somos um estado agrícola, e hoje os países não compram produtos vindos de regiões que fazem

FRACKING. Seria o nosso fi m. E o que fazer nesse momento para barrar essa extração?



Bem, o primeiro passo é que todas as pessoas que tenham acesso à internet procurem informações no site www.naofrackingbrasil.com.br saibam mais sobre o que o FRANCKIN  trará de verdade ao nosso país e como ser um voluntário nessa luta. Depois, os padres poderão orientar toda a sua comunidade e levar ao representante político, ou seja, para o vereador, prefeito ou deputado de sua região, a importância de barrar esse processo aqui em nosso estado. Como não existe uma legislação nacional, só através de uma lei municipal é que podemos proibir que as empresas que já compraram os lotes já leiloados pela ANP, lotes esses que estão abaixo dos nossos pés e já vendidos, que não sejam explorados comercialmente. Esse processo de exploração por FRACKING só não começou ainda porque existem liminares obtidas pelo Ministério Público Federal suspendendo as rodadas de licitações, protegendo seis estados dos riscos e perigos e o Paraná é um deles. Dezenas de cidades já aprovaram o banimento do fraturamento hidráulico e mais de 60 debatem o tema e se encaminham para a proibição.Image title


A força da nossa população pode mudar esse quadro? Sim! Essa é a única solução para combater o FRANCKING. Nós queremos que todas as famílias entendam essa força e se mobilizem contra o FRAKING, o verdadeiro gás da morte! Ele contamina até mesmo a água que nós bebemos e o ar que respiramos! Ele trará consequências danosas aos nossos filhos. Nossas crianças poderão nascer com problemas crônicos de saúde, má formações, mutações, entre outras doenças. Com a participação da sociedade é possível pressionar os gestores para aprovar uma legislação que bane o FRACKING: Proibir emissão de alvará para operações de faturamento hidráulico no município; impedir o uso de água potável para fins de extração de gás de xisto; proibir o transporte dos produtos químicos altamente poluentes e contaminantes; por fi m, proibir inclusive a realização de testes sísmicos para estudo de composição do solo. É desta forma que nós queremos e deveremos agir para barrar essa exploração que trará a morte do nosso ecossistema.

Junte à campanha desenvolvida pela COESUS, 350.org Brasil e América Latina e Cáritas Paraná, em parceria com centenas de entidades pela Vida, em defesa da Água e de todos os seres vivos.

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