25 AGO 2021

Projeto solidário dos padres do Paraná tem ajudado os padres da África

Na tarde desta terça-feira (24) a presidência da Comissão Regional de Presbíteros (CRP) do Paraná, que está reunida na sede do Regional Sul 2 da CNBB, em Curitiba (PR), realizou uma reunião on-line com o administrador diocesano de Bafatá, na África, Padre Lúcio Brentegani, e os padres Paulo de Pina Araújo, Carlos Fernandes da Silva, Augusto Mutna Tambá e Admir Isnaba Pereira Tambá. O objetivo da reunião foi dialogar sobre o projeto “Mostrai-vos solidários com os irmãos” (Rm 12,13), por meio do qual os padres do Paraná têm ajudado financeiramente, desde 2019, os padres guineenses a realizarem com mais eficácia a sua missão.

Esse projeto foi assumido pela CRP em fevereiro de 2019, no intuito de serem solidários com as várias necessidades que o clero da Diocese de Bafatá enfrenta. A partir disso, o projeto foi levado ao clero de todas as dioceses do Paraná, motivando os padres a fazerem uma doação espontânea e pessoal durante a Semana Santa. Os valores são enviados à sede do Regional Sul 2 da CNBB, que é responsável por encaminha-los à Diocese de Bafatá.

A primeira coleta aconteceu na Semana Santa do ano de 2019 e arrecadou R$ 92.209,72. Em 2020, mesmo com as dificuldades trazidas pela pandemia, os padres conseguiram fazer uma coleta de R$ 62.060,00. Em 2021, a coleta está acontecendo ao longo do ano, até o momento já soma R$ 68.030,00.

Envelope com o qual é realizada a coleta.

Segundo o padre Emerson Lipinski, presidente da CRP, essa é uma oportunidade de praticar a partilha e viver a solidariedade, o Evangelho e a fraternidade presbiteral. “A Igreja de Bafatá vive as dificuldades de um país em desenvolvimento, que é a Guiné-Bissau. Os padres de lá, que fizeram a escolha de seguir a radicalidade do Evangelho, assim como nós aqui no Brasil, vivem as dificuldades financeiras do seu país e nós, que temos um pouquinho mais de condições, podemos partilhar com eles. Com esse projeto, nós somos os maiores beneficiados e é uma alegria, todo o ano, estar junto com eles, doando um pouquinho do que temos e somos”, disse padre Emerson.

O administrador diocesano de Bafatá, padre Lúcio Brentegani, diz que essa ajuda econômica tem colaborado, especialmente, na formação dos seminaristas e no sustento do clero. “Atualmente a diocese tem 15 padres diocesanos, porém temos 20 jovens no seminário maior, então, a expectativa é que nos próximos seis anos, se tudo correr bem, teremos quase 40 padres diocesanos e isso é uma grande bênção. Porém, as dificuldades financeiras serão ainda maiores”.

Padre Lúcio explicou também que a diocese, apesar de pequena em número de católicos, possui um território muito extenso. “São centenas de quilômetros entre as paróquias e as missões. Com isso, enfrentamos dificuldades econômicas, pastorais e de anúncio do Evangelho nas aldeias mais distantes”. O sacerdote também agradeceu a solidariedade dos padres paranaenses: “Ter amigos, irmãos padres que apoiam, também economicamente, e na lógica da fraternidade sacerdotal, é muito importante. Por isso agradeço, imensamente, essa ajuda e desejo que esse projeto possa ter continuidade, na amizade e fraternidade dos padres do Paraná com os padres de Bafatá”.

Realidade da Diocese de Bafatá, Guiné-Bissau, África

A diocese de Bafatá, onde a Igreja do Paraná mantém a Missão São Paulo VI, é uma igreja pobre e enfrenta muitas dificuldades econômicas, o que torna a missão evangelizadora ainda mais desafiadora. Criada no ano de 2001, a diocese teve por seu primeiro bispo, o brasileiro, Dom Pedro Carlos Zilli, falecido em março deste ano, por complicações da covid-19. Desde então, ela é administrada pelo padre, missionário italiano, Lúcio Brentegani.

Com uma superfície de 24.635 km2 e 807.244 habitantes, a diocese de Bafatá é constituída pelas Províncias Leste e Sul do país da Guiné-Bissau, contando quatro regiões: Bafatá, Gabu, Quinara, Tombalì e mais o Setor de Bolama. No território da diocese há 8 paróquias e 6 missões.

Atualmente, 26 sacerdotes que atuam na diocese, sendo 15 diocesanos guineenses, 2 diocesanos italianos (Fidei donun), 8 religiosos missionários e 1 religioso guineense. No seminário, há 26 seminaristas, sendo 20 no Maior (Filosofia e Teologia) e 6 no Menor (Propedêutico). Atuam também na evangelização, 23 religiosas e 7 leigos missionários.

Fonte: CNBB Sul 2
Autor: Karina de Carvalho - Assessora de Comunicação

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