08 ABR 2015

A sobriedade da Liturgia

Após as muitas celebrações da Quaresma, Semana Santa e da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, temos pela frente o TEMPO PASCAL. Este se caracteriza por estender a alegria da ressurreição primeiramente por oito dias de festa, alegria e júbilo (Oitava Pascal) e, com outra motivação, por 50 dias de vivência da espiritualidade do ressuscitado até o dia de Pentecostes. É, sem dúvida, o centro da espiritualidade do cristão.

Lembro-me que no período do chamado Movimento Litúrgico, que foi o movimento que na Igreja precedeu e preparou a grande Reforma Litúrgica, se dizia muito claramente que “a Liturgia deveria ser a fonte da espiritualidade de todo cristão e da Igreja”. Por isso, exatamente, é que a Liturgia foi, teologicamente, compreendida como continuidade da história da salvação. Também por isso a proclamação da Palavra de Deus foi prevista de maneira mais ampla, rica, constante e com direcionamento teológico. Propôs-se a participação ativa dos fiéis nos gestos, palavras, cantos, ministérios, etc. Hoje temos condições de compreender todos os detalhes da Liturgia, também porque ela acontece na nossa língua. Nos documentos diz-se “língua vernácula”. É um grande valor da liturgia pós-conciliar.

Outro aspecto muito importante desta reforma foi voltar a um antigo princípio da Liturgia Romana Pura, que é a raiz da liturgia que celebramos na Igreja Ocidental. A partir dela, a liturgia deve ser: Simples e precisa, breve, não verbosa, pouco inclinada ao sentimento. Sua disposição deve ser clara e lúcida, com grandeza sagrada e humana, espiritual e de grande valor literário. A Igreja entende que estas características conduzem a um perfeito intercâmbio teológico e antropológico, quer dizer, “Deus é perfeitamente glorificado e o homem é santificado”. Todas estas características estão muito presentes nas celebrações litúrgicas da Semana Santa, Páscoa e neste período pós-pascal, como em qualquer celebração. Mas é uma observância não apenas para a Liturgia como também na constituição e vivência da Igreja como um todo. A Igreja sempre tem que ser simples, lúcida, não verbosa, espiritual, etc. A Igreja faz a Liturgia e a Liturgia forma a Igreja. Precisamos de uma Igreja cada vez mais ministerial.

Porém é preciso ter muito cuidado nas nossas celebrações. Tantas vezes ocorre que colocamos o homem em primeiro lugar.  Lembro-me de algumas missas em que o Grupo de Cantos canta praticamente sozinho, sem envolver a comunidade, com melodias que só eles conhecem e com cantos que não têm nada a ver com o Mistério celebrado. Dá a impressão de Missa Show.   Tantas vezes o exagero de vestimentas, pretendendo chamar atenção para o “fausto na Liturgia”. Lembro-me de algumas “bênçãos do Santíssimo” em que se chama mais atenção sobre o Presidente do que sobre o próprio Jesus Eucarístico. Que Igreja queremos construir com as nossas celebrações? Não temos o direito de prejudicar ou danificar a imagem de Igreja construída com muito trabalho, estudo, dedicação e oração pelos homens e mulheres que nos antecederam como discípulos de Jesus.

O Concílio Vaticano II definiu a Igreja como “a serviço” (Constituição Gaudium et Spes) e “em diálogo” (Constituição Lumen Gentium”).  A Liturgia deve ser, juntamente com a pregação da Palavra de Deus, a base da evangelização. Com a Pregação e a Liturgia devemos formar os discípulos e seguidores de Jesus Cristo para que sejam fiéis servidores de Deus Pai.

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