01 AGO 2019

A coragem de arriscar pela promessa de Deus

Neste mês das vocações, transcrevo uma parte da mensagem do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, na qual ele nos fala sobre o chamado do Senhor que nos torna portadores duma promessa e, ao mesmo tempo, nos pede a coragem de arriscar com Ele e por Ele. O Papa descreve sobre a promessa e o risco, contemplando a vocação dos primeiros discípulos junto do lago da Galileia (cf. Mc 1, 16-20).

“Duas duplas de irmãos – Simão e André, juntamente com Tiago e João – estão ocupados no seu trabalho diário de pescadores. Nesta cansativa profissão, aprenderam as leis da natureza, desafiando-as quando os ventos eram contrários e as ondas agitavam os barcos. Em certos dias, a pesca abundante recompensava da árdua fadiga, mas, em outras vezes, o trabalho d’uma noite inteira não bastava para encher as redes e voltava-se para a margem cansados e desiludidos.

Estas são as situações comuns da vida, onde cada um de nós se confronta com os desejos que traz no coração, se empenha em atividades que – espera – possam ser frutuosas, mergulha num mar de possibilidades sem conta à procura da rota certa, capaz de satisfazer a sua sede de felicidade. Às vezes, alegra-se por uma pesca boa, enquanto que em outras vezes é preciso armar-se de coragem para governar um barco sacudido pelas ondas, ou lidar com a frustração de estar com as redes vazias.

Como na história de cada vocação, também neste caso acontece um encontro. Jesus vai pelo caminho, vê aqueles pescadores e aproxima-se... Sucedeu assim com a pessoa que escolhemos para compartilhar a vida no matrimônio, ou quando sentimos o fascínio da vida consagrada: vivemos a surpresa de um encontro e, naquele momento, vislumbramos a promessa de uma alegria capaz de saciar a nossa vida. 

Sendo assim, o chamado do Senhor não é uma ingerência de Deus em nossa liberdade; não é uma jaula ou um peso que nos é colocado sobre as costas. Pelo contrário, é a iniciativa amorosa com que Deus vem ao nosso encontro e nos convida a entrar num grande projeto, do qual nos quer tornar participantes, apresentando-nos o horizonte de um mar mais amplo e d’uma pesca superabundante.

Com efeito, o desejo de Deus é que a nossa vida não se torne prisioneira do banal. O Senhor não quer que nos resignemos a viver o dia a dia, pensando que afinal de contas não há nada pelo qual valha a pena comprometer-se apaixonadamente.

Se às vezes nos faz experimentar uma pesca milagrosa, é porque nos quer fazer descobrir que cada um de nós é chamado – de diferentes modos – para algo de grande, e que a vida não deve ficar presa nas redes do sem-sentido e daquilo que anestesia o coração. Em síntese, a vocação é um convite a não ficar parado na praia com as redes na mão, mas seguir Jesus pelo caminho que Ele pensou para nós, para a nossa felicidade e para o bem daqueles que nos rodeiam.

Naturalmente, abraçar esta promessa requer a coragem de arriscar. Sentindo-se chamados por Ele a tomar parte num sonho maior, os primeiros discípulos, deixando logo as redes, seguiram-no (Mc 1, 18). Isto significa que, para aceitar o chamado do Senhor, é preciso deixar-se envolver totalmente e correr o risco de enfrentar um desafio inédito; é preciso deixar tudo o que nos poderia manter amarrados ao nosso pequeno barco, impedindo-nos de fazer uma escolha definitiva; é pedida a nós a audácia que nos impele com força a descobrir o projeto que Deus tem para a nossa vida. Quando estamos colocados perante o vasto mar da vocação, não podemos ficar consertando as nossas redes no barco que nos dá segurança, mas devemos confiar na promessa do Senhor”.

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