10 DEZ 2018

Maria e Jesus, segundo um ateu

O filósofo francês, Jean Paul Sartre, que se dizia ateu, escreveu enquanto era prisioneiro num campo de concentração, no Natal de 1940, uma poesia sobre Nossa Senhora para a peça de teatro Bariona, ou “Os filhos do trovão”. A peça foi apresentada num dos barracões para os prisioneiros. Nela aparece Nossa Senhora como talvez ninguém tinha descrito ainda:

É Deus... E se parece comigo

A Virgem está silenciosa e contempla o Menino...

Seria preciso pintar num quadro, sobre o seu rosto, aquela maravilha imensa que apareceu uma só vez num rosto humano.

Porque o Cristo é o seu filho:

A carne de sua carne e

O fruto do seu ventre.

Ela o carregou nove meses em si mesma...

E lhe dará de mamar. O seu leite se transformará em sangue de Deus.

Em alguns momentos o impulso é tão forte que esquece que é o Filho de Deus.

Ela o aperta em seus braços

E fala baixinho: “Meu pequenininho”...

Mas em outros momentos fica extasiada e pensa:

“Deus está aqui!”

E fica tomada por uma admiração religiosa diante deste Deus silencioso, por este Menino, que em certo sentido provoca espanto.

Todas as mães ficam transtornadas, por um momento, diante do fragmento delicado de sua carne, que é o seu filho.

E se sentem como que fora de si diante desta nova vida feita da sua vida, mas habitada por pensamentos diferentes dos seus.

Mas nenhum filho foi tão rapidamente distanciado da sua mãe, como este, pois é Deus e supera em tudo aquilo que ela poderia imaginar.

Mas penso, que existiram também outros momentos rápidos – fugazes, nos quais ela sente que o Cristo é seu filho, o seu “pequeno”, e que é Deus.

Ela o contempla e pensa: Este Deus é o meu Menino.

Esta carne é a minha carne... Ele Foi feito de mim... Tem os meus olhos... E a forma de sua boca é semelhante a minha. Assemelha-se a mim... É Deus e se parece comigo!

E nenhuma mulher teve pela sorte o seu Deus somente para si. Um Deus pequenininho que se pode apertar entre os braços e cobri-lo de beijos.

Um Deus todo quentinho, que está vivo e que respira. Um Deus que se pode tocar e que sorri!

E é nestes momentos que pintaria Maria, se fosse um pintor.

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