22 MAI 2017

O ANO MARIANO

O Ano de 2017 foi declarado no Brasil o Ano Mariano pelo fato dos 300 anos que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo. É um momento histórico interessante para a vida da Igreja e do trabalho de evangelização no Brasil. Foram três os pescadores venturosos que encontraram a imagem em 17 de outubro de 1717: Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso. O local é o meio do caminho entre as duas grandes capitais: São Paulo e Rio de Janeiro. O Brasil vivia sob o vergonhoso regime escravocrata que submetia mais da metade da população a este regime. Uma pergunta surge espontânea:

O que levou essa devoção surgida da fé de homens simples do povo, rudes pescadores de um lugarejo perdido a converter-se no maior santuário mariano do mundo? Com cerca de 13 milhões de peregrinos a cada ano, coloca-se no mesmo nível dos mais visitados da cristandade:

Guadalupe, no México; Lourdes, na França; Fátima, em Portugal; Jasna Góra, em Czestochowa, na Polônia.

Conta-se que, por volta de 1850, um escravo fugido, mas recapturado e algemado, pede para orar durante um momento diante da capelinha e da imagem da Virgem Aparecida. As algemas caem de seus braços. A Virgem passou a ser associada à denúncia da miserável sorte dos escravos e à compaixão para com os escravos. Assim, certamente, a devoção a

Nossa Senhora Aparecida atingiu o coração e a cultura dos mais fracos e indefesos de nosso país. Outra ligação é com relação à situação de mulheres nas lidas da vida e na busca por igualdade e dignidade. Em todo o universo mariano, o sagrado é lido em chave feminina, com sua gramática própria, numa clara denuncia de uma tradição excludente e machista em relação às mulheres. Por esta chave de leitura do feminino e da exploração das pessoas, especialmente os mais pobres, certamente a devoção à Nossa Senhora Aparecida atinge a cultura moderna.

Mesmo que, legalmente falando, a escravidão tenha sido banida das leis brasileiras, os seus efeitos maleficios continuam fortemente presentes. O racismo ainda existe em nosso meio. Muitas pessoas são simplesmente julgadas pela cor da pele em entrevistas para empregos, programas de televisão, no trânsito, nas escolas, na segurança pública, etc. Além de atitudes camufladas que são muito sutis, mas extremamente cruéis. Nossa Senhora ensina a igualdade, a justiça, o respeito por todas as pessoas. Pela via do feminino devemos olhar para a situação das mulheres hoje. A violência contra as mulheres continua aumentando e a pior de todas é a violência intrafamiliar. Chamou atenção a poucos dias um episódio triste em uma grande emissora de televisão do país. Voltou a discussão da violência contra as mulheres por maridos, amantes, namorados. Por desconhecidos nas ruas, nos ônibus, trens, aviões, no trabalho, nas empresas, nas escolas, nas universidades, nas igrejas, etc. A violência do aborto atinge acima de tudo a mulher que atinge o próprio corpo e a própria alma através da violência contra um feto indefeso totalmente. Com Maria a defesa da vida, da paz, do respeito, deve ser a primeira lição a se aprender.

Que o Ano Mariano nos ajude a progredir na devoção a Nossa Senhora esperando dela a intercessão junto de Deus, mas motivando-nos a uma conversão sempre mais profunda na defesa da própria vida e de todo o ser humano.

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