23 JAN 2017

O DIA MUNDIAL DA PAZ

Em 01 de Janeiro de 2017 celebramos cinquenta anos da primeira Mensagem pelo Dia Mundial da Paz. Esta foi publicada, em 1967, pelo Papa Paulo VI.

Na ocasião assim se exprimia: “Finalmente resulta, de forma claríssima, que a paz é a única e verdadeira linha do progresso humano (não as tensões de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nem as repressões geradoras duma falsa ordem civil). Advertia contra o perigo de crer que as controvérsias internacionais não se possam resolver pelas vias da razão, isto é, das negociações baseadas no direito, na justiça, na equidade, mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras. Ao contrário, citando a Encíclica Pacem in Terris do seu antecessor São João XXIII, exaltava o sentido e o amor da paz baseada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor”. É impressionante a atualidade destas palavras, não menos importantes e prementes hoje do que há cinquenta anos.

A paz continua sendo um tema central em nossos dias, central, para sermos mais exatos. Nas pesquisas que aparecem sobre as principais preocupações da população em nossas cidades, normalmente aparece nos primeiros lugares o problema da paz, ou alguns correlatos à paz, tais como o emprego, trabalho, segurança, saúde, família unida, etc. O Papa na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2017 fala de problemas que atingem a paz no mundo: guerras, desalojamento de populações inteiras, migrações forçadas pelas guerras, falta de trabalho, etc. “Nas suas próprias palavras: Não é fácil saber se o mundo de hoje seja mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação e a mobilidade que caracteriza a nossa época nos tornem mais conscientes da violência ou mais rendidos a ela”.

Busca fazer uma reflexão sobre a não violência porque considera que a violência não é capaz de produzir algo duradouro para a humanidade. Cita alguns textos bíblicos sempre inspiradores da paz: “Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos” (Mc 7, 21). Mas, perante esta realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mt 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mt 5, 39). Quando impediu, aqueles que acusavam a adúltera, de a lapidar (cf. Jo 8, 1-11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mt 26, 52),

Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fi m, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (cf. Ef 2, 14-16). Por isso, quem acolhe a Boa Nova de Jesus, sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação e paz.

São Francisco de Assis assim exortava:

“A paz que anunciais com os lábios, conservai- a ainda mais abundante nos vossos corações”. O Papa Bento XVI fala também da não-violência: «a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”. A página evangélica – amai os vossos inimigos (cf. Lc 6, 27) – é, justamente, considerada “a carta magna da não-violência cristã”: esta não consiste em render-se ao mal (...), mas em responder ao mal com o bem (cf. Rm 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça” (Mensagem n. 03).

A riqueza da mensagem do Papa Francisco continua ao citar nomes de pessoas que lutaram pela paz ao lutarem pela justiça: Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King Junior, Mahatma Gandhi, Khan

Abdul Ghaffar Khan, Leymah Gbowee e milhares de mulheres liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento, obtendo negociações de alto nível para a conclusão da segunda guerra civil na Libéria, etc. Ao citar lutadores da paz de todas as regiões do mundo, o Papa quer reafi rmar que: “Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um património exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem «a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho. da vida». Reitero-o aqui sem hesitação: «nenhuma religião é terrorista». A violência é uma profanação do nome de Deus. Nunca nos cansemos de repetir: jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra”

(Mensagem n. 04).

Por fim o Santo Padre apela para a valorização da família e para a responsabilidade que ela tem na criação de pessoas que saibam ser caridosas, misericordiosas, justas, responsáveis, amantes da paz, etc.

Que o ano de 2017 seja de aprofundamento da vivência da paz e do perdão. Quando conseguirmos viver o perdão, o coração se aquietará verdadeiramente no colo de Deus. As Bem Aventuranças nos conduzam ao encontro do outros especialmente porque em nós verão a paz.

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