09 MAI 2016

A 54ª Assembleia Geral da CNBB

Mais uma vez tive a graça e a alegria de participar da Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. É sempre interessante reencontrar e rever os velhos amigos, colegas de estudos alguns, alguns professores dos tempos de estudos de teologia e muitos que conheci durante as assembleias passadas. Ouvir a todos nas suas angústias, dores e esperanças; fazê-los conhecer também a nossa realidade eclesial; rezar juntos; fazer as refeições em conjunto fazem com que pouco a pouco se forme a grande família do episcopado brasileiro.

A agenda, mais uma vez, estava lotada, cheia. Muitos assuntos sobre os quais era necessário refletir. Um dos primeiros assuntos é sempre a Palavra da Presidência que é feita em forma de relatório das atividades da Presidência desde a última assembleia. Chama atenção pelo grande número de atividades.

Desta vez D. Sergio da Rocha apresentou as atividades em três pontos: A missão da CNBB, o relacionamento eclesial e o relacionamento com a sociedade civil. Teve grande destaque neste ano o número de autoridades nacionais e internacionais que foram recebidas na CNBB, até mesmo para tratar da crise que o Brasil atravessa. Outro momento muito esperado foi a análise da conjuntura eclesial.

O tema foi a mudança do cenário religioso no Brasil. Foi a vez de a Professora Silvia Fernandes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentar uma rica reflexão, aliás, uma pesquisa sobre o cenário religioso. Ao final fez algumas interpretações: a necessária valorização do indivíduo; a desinstitucionalização

da fé; a reconfiguração do sentido de pertença; a valorização da tradição e da emoção; estar nas periferias; a experimentação como uma atitude moderna; o problema da missão e do método, etc.

De grande validade foi o Tema Central:

Os cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja e na sociedade: Sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14). Já é a terceira vez, desde que participo, que este tema está presente. Trata da missão dos leigos na Igreja e no Mundo.

Esperamos que seja um certo “estatuto” para o trabalho do laicato católico no Brasil. O documento foi aprovado e deverá ser publicado “Coleção Azul” com é de praxe. Logo no número 01 diz: “É com alegria e admiração que, mais uma vez, nós, os bispos pastores da Igreja de Cristo, expressamos nosso agradecimento aos cristãos leigos e leigas, pelo testemunho de sua fé, pelo amor e dedicação à Igreja e pelo entusiasmo com que se doam ao nosso povo, às nossas comunidades, às suas famílias, às atividades profissionais, até ao sacrifício de si”. Tomara que este documento ilumine sempre mais a vida e a missão dos nossos leigos e leigas.

Outro tema que terá forte impacto pastoral foi o Motu Proprio Mitis Iudex Dominus Iesus, sobre as nulidades matrimoniais. O ponto de partida é o número 244 da Exortação Pós Sinodal Amoris Laetitia: Necessidade de tornar mais acessíveis, ágeis e possivelmente gratuitos os procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade, pois a lentidão dos processos irrita as pessoas. Os dois documentos do Papa Francisco sobre tal matéria levaram a uma simplificação dos procedimentos para uma eventual declaração de nulidade matrimonial.

O próprio bispo na sua Igreja, da qual está constituído pastor e cabeça, é juiz entre os fiéis a ele confiados. É chamado a julgar ele mesmo algumas causas e de qualquer modo assegurar, um acesso mais fácil dos fiéis à justiça. Isto comporta a preparação de pessoal sufi ciente, composto por clérigos e leigos, que se consagrem de forma prioritária a este serviço eclesial. Será necessário por à disposição das pessoas separadas ou dos casais em crise, um serviço de informação, de aconselhamento e de mediação, ligado à pastoral familiar, que também poderá receber as pessoas em vista da investigação preliminar do processo matrimonial. Jesus Cristo deu à sua Igreja uma missão pastoral. Temos que nos preparar para bem cumpri-la. No próximo mês continua....

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