16 FEV 2016

A Campanha da fraternidade Ecumênica – 2016

Já estamos mais uma vez no Tempo Quaresmal e estamos às portas da realização de mais uma Campanha da Fraternidade Ecumênica como foram as do ano 2010, 2005 e 2000. “A motivação para essas campanhas fundamentou-se na compreensão de que, no centro da vivência ecumênica, está a fé em Jesus Cristo. Isso se deu, porque o movimento ecumênico está marcado pela ação e pelo desafio de construir uma Casa Comum (oikumene) justa, sustentável e habitável para todos os seres vivos. Essa luta é profética, pois questiona as estruturas que causam e legitimam vários tipos de exclusão: econômica, ambiental, social, racial e étnica. São discriminações que fragilizam a dignidade de mulheres e homens” (Texto Base, 4).

Neste ano a CFE apresenta o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” e tem como lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). O objetivo principal é assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

É tradição das campanhas da fraternidade discutir problemas que a sociedade brasileira continua enfrentando e denunciar, especialmente, a falta de respeito pelos direitos dos mais pobres e marginalizados.

Isto acontece porque a quaresma é um período em que somos chamados à conversão de maneira individual e também coletiva, como sociedade. No Texto Base explica que “a combinação do acesso à água potável e ao esgoto sanitário é condição para se obter resultados satisfatórios também na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e pela sustentabilidade ambiental. Há que se ter em mente que ‘justiça ambiental’ é parte integrante da ‘justiça social’” (n.21).

Os vários textos bíblicos usados para fundamentar a refl exão da CFE (Am 5,24; Os 4,1-3; Is 58,6-8; Ex 18,13-27, etc) tratam da relação das pessoas entre si, isto é, como tratar uns aos outros de maneira fraterna.

Os textos também falam da relação com Deus, isso significa organizar a vida respeitando o bem que Deus quer para nós e para todos. Falam também da relação com a natureza, percebida como dom de Deus, a ser cuidada com gratidão e respeito.

E, por fim, falam da relação com os bens materiais, que devem ser distribuídos de forma justa e utilizados para construir uma coletividade com mais igualdade, ao invés de serem utilizados para suprir a ganância de alguns (Texto Base 117ss). Em síntese, a nossa fé nos guia de maneira pessoal e comunitária e nos ajuda a construir a sociedade dos sonhos de Deus.

A Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, veio dar grande impulso à reflexão sobre a questão do meio ambiente, da nossa Casa Comum. Esta contribuição está sendo muito bem aceita pelo mundo, de tal forma que ela está sendo chamada de “Evangelho da Ecologia”. É muito bem aceito o conceito de Ecologia Ambiental e Ecologia Humana. Este mostra claramente a necessidade de que se olhe para o meio ambiente de tal forma a proteger a humanidade, o ser humano. É a voz profética que clama para que assumamos o desafio de proteger a Casa Comum unindo-nos por um desenvolvimento sustentável e integral. Que esta CFE nos conduza nos caminhos desta quaresma que nos indica sempre a necessidade da conversão realista para vivermos com maior realismo a ressurreição. Jesus Cristo é Ressurreição e Vida.

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