01 AGO 2015

O cuidado da nossa casa comum

Foi muito comentada a publicação, no dia 18 de junho de 2015, da Carta Encíclica LAUDATO SI’, sobre o cuidado da casa comum, da natureza, da ecologia. Apesar de outros papas já terem feito em seus escritos referências ás questões ambientais, é a primeira vez que um Papa trata do tema especificamente. A Encíclica vem em um momento em que os países se preparam para a 21ª Conferência do Clima – COP 21, que decidirá o compromisso das nações com a diminuição das emissões de poluentes na atmosfera. Há o desejo de que o documento possa interferir nas proposições a serem discutidas em Paris. A expectativa é que seja um chamado à mudança na forma como estamos usando os recursos do Planeta.

O Santo Padre faz um apelo sério: “O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” (13). “Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do Planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós” (14). E denuncia: “As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas” (14). No número 16 apresenta eixos que atravessam a encíclica inteira: “a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta; a convicção de que tudo está estreitamente ligado no mundo; a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia; o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso; o valor próprio de cada criatura; o sentido humano da ecologia; a necessidade de debates sinceros e honestos; a grave responsabilidade da política internacional e local; a cultura do descarte  e um novo estilo de vida”.

O Papa busca uma boa fundamentação em São Francisco de Assis a começar pelo nome: Laudato Si´ - Louvado Seja – é o início do lindo Cântico das Criaturas. Diz ele: “Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade.(...)Amava e era amado pela sua alegria, sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior” (10).

Além de toda a reflexão teológica e pastoral que faz, ele toca em alguns assuntos polêmicos: Abandono dos combustíveis fósseis; a falência dos encontros da ONU sobre o clima; os “créditos de emissão” que constituem negociata inútil; importância das iniciativas locais; transgênicos? Nem a favor, nem contra; o consumo é o problema mais grave da população mundial; celulares e outros aparelhos estão arruinando nossa relação com a natureza; a herança para as novas gerações? A desolação; poluir e extinguir recursos é um pecado; a poluição sonora também é condenável, etc. 

Alguém já classificou a Encíclica Laudato Si’ como “o Evangelho da Ecologia”. É, sem dúvida, uma grande contribuição do Papa Francisco. Procura mesclar a necessidade do cuidado com a natureza com a Ecologia Humana, ou seja, o cuidado com a pessoa humana. Onde estas duas coisas não conseguem caminhar unidas e respeitosas uma com a outra, tanto a natureza quanto o homem não resistirão. O Papa mesmo chega a dizer que a Encíclica não é “verde” mas “social”. Por isso, exatamente, é que ela é colocada no rol das excelentes Encíclicas Sociais, tais como Pacem in Terris (1971), Centesimus Annus (1991); Solicitudo Rei Socialis (1987), etc. Que ajude a humanidade assim como estas outras ajudaram.

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