01 SET 2015

A crise dos cinco pês

Há alguns dias atrás participei de uma reunião, na PUC – Londrina, do Colegiado dos Professores de Teologia da instituição. Me interessa pelo fato de os estudantes de teologia da nossa diocese estudarem lá. Nas exposições que foram feitas falou-se de várias questões ligadas à educação. Falou-se da necessidade de mudança. Alvin Toffler dizia que “Mudança é o processo pelo qual o futuro invade nossas vidas”.

Os últimos documentos da Igreja analisam o momento atual como sendo de “mudança de época” e não, simplesmente “época de mudanças”. Sempre estamos em “época de mudanças”. Todas as coisas vão se renovando naturalmente: mudança de clima, de governo, de moda, de notícias, desafios, etc. A mudança de época é diferente. Caracteriza-se por “mudanças que afetam critérios de compreensão, os valores mais profundos, a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem relações” (DGAE, 21). Além disso, constata-se o “aumento progressivo do relativismo, a ausência de referências sólidas, o excesso de informações, a superficialidade...” (idem). Este fenômeno produz tendências desafiadoras como o individualismo, o fundamentalismo, unilateralismos. Atinge de modo especial a família. As Diretrizes Gerais nos mostram que se “difunde a noção de que a pessoa livre e autônoma precisa se libertar da família, da religião e da sociedade” (n.21). Todos os elementos atingem a sociedade como um todo: religião, educação, relações de trabalho, política, economia, etc.

No encontro da PUC – Londrina, ao qual me referi, falou-se da crise dos cinco pês. Ela brota da crise da razão que, por sua vez é uma crise da verdade, das instituições e das autoridades parentais. No âmbito da família a crise é a do PAI. Já não é novidade que a autoridade dos pais passa por grandes e profundas transformações. Também eles precisam ser melhor orientados para poderem exercer bem a sua função. No âmbito da religião a crise se abate sobre o PADRE (pastor, papa). É facilmente compreensível que o mundo religioso passa por mudanças profundas e que as respostas que se esperam da religião, as vezes não competem a ela. No mundo do ensino, da educação, da escola, da universidade a crise é a do PROFESSOR. Além das exigências normais da profissão sobram para o professor questões que deveriam ser resolvidas dentro da família, especialmente a boa educação para viver e conviver em sociedade. No âmbito das instituições da sociedade a crise recai sobre o POLÍTICO. Aqui o termo “político” precisa ser entendido amplamente, pois se temos crises na representação nas instituições ditas “democráticas” - no executivo, no legislativo, no judiciário – a vemos presente de igual forma nos sindicatos, no futebol, em outros esportes, nas olimpíadas, nas associações, etc. Por fim, a crise se apresenta no mundo do trabalho e das relações de trabalho. O representante neste quesito é o PATRÃO. As leis trabalhistas ultimamente estão em jogo, em questionamento. Quem tem alguma autoridade precisa estar continuamente aprendendo métodos e formas de exercer a sua autoridade de modo a conseguir com que a sua equipe consiga produzir mais e, ao mesmo tempo, se sinta realizada enquanto pessoas, seres humanos. As regras de relacionamento precisam ser claras, justas para que no trabalho não haja espaço de discriminação, preconceitos, etc.

Em síntese, este é um tempo para responder missionariamente à mudança de época com o recomeçar a partir de Jesus Cristo, com “novo ardor, novos métodos e nova expressão”, e com “criatividade pastoral” (DGAE,29).

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