05 NOV 2014

Sínodo sobre a família

Neste mês gostaria de compartilhar com a comunidade diocesana algo sobre o Sínodo da Família. Em outubro do ano passado, o Papa Francisco convocou uma Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema: “Os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização”. Ela será realizada em duas etapas: a primeira, que aconteceu de 05 a 19 de outubro de 2014, no Vaticano, avaliou e aprofundou os dados e as sugestões recebidas do mundo todo através de um questionário enviado às dioceses do mundo inteiro, em relação ao tema proposto. A segunda, em 2015, contará com um maior número de participantes e refletirá sobre as temáticas então abordadas, para elaborar uma lista de proposições que serão apresentadas ao Santo Padre.

Muitas reflexões feitas chamaram a atenção pela tentativa de síntese do problema e também de síntese das respostas pretendidas. Numa das primeiras sessões a missão da família foi assim definida: Vocação à vida, aceitação do outro e a santidade. A vocação à vida foi entendida como testemunho de Cristo por meio da unidade familiar. A aceitação do outro considera que a família é a primeira escola de alteridade, o lugar onde se pode aprender a paciência e a lentidão, em contraste com a agitação do mundo moderno. Quanto à santidade, os padres sinodais falaram que a família educa à santidade e é um “ícone da Trindade”, a “Igreja doméstica a serviço da evangelização, futuro da humanidade”.

Chama atenção para algumas práticas pastorais: preparação para o matrimônio, acompanhamento da Pastoral Familiar, a influência dos meios de comunicação, a linguagem no ensinamento da Doutrina eclesial e a situação dos separados e recasados. Talvez um dos mais graves problemas seja, exatamente, a linguagem por vezes muito jurídica e pouco inclusiva ou misericordiosa que se usa ao falar sobre a situação dos separados e recasados, mas também com relação à família como um todo. Temos que nos preocupar menos com os remédios para o fracasso da união conjugal e mais com as condições que a fazem válida e frutífera. Foi citada a abertura ao diálogo e uma conversão pastoral para que o anúncio do Evangelho seja mais eficaz. A Igreja não deve apresentar um juízo, mas uma verdade, com um olhar compreensivo: “A ‘medicina’ da misericórdia da acolhida, atenção e apoio”. Foi observado que as famílias que sofrem não buscam soluções pastorais rápidas, não querem ser um mero dado de estatística, mas que sentem a necessidade de serem aconselhadas, aceitas e amadas. Dar mais atenção à lógica sacramental que à jurídica.

Existem, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar. Se assiste, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício. Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.

Vamos rezar e torcer pela próxima etapa do Sínodo. Só a partir daí deverão ser publicadas orientações mais concretas a respeito do trabalho da Igreja e a evangelização da família. Os Padres Sinodais, ao final dos trabalhos do mês de outubro, pedem que a Igreja caminhe com eles em direção ao próximo Sínodo. “Em vocês se confirma a presença da família de Jesus, Maria e José na sua modesta casa”, dizem. “Também nós, unindo-nos à Família de Nazaré, elevamos ao Pai de todos a nossa invocação pelas famílias da terra:

Senhor, doa a todas as famílias a presença de esposos fortes e sábios, que sejam vertente de uma família livre e unida. Senhor, doa aos pais a possibilidade de ter uma casa onde viver em paz com a família. Senhor, doa aos filhos a possibilidade de serem signo de confiança e aos jovens a coragem do compromisso estável e fiel.
Senhor, doa a todos a possibilidade de ganhar o pão com as suas próprias mãos, de provar a serenidade do espírito e de manter viva a chama da fé mesmo na escuridão.
Senhor, doa a todos a possibilidade de ver florescer uma Igreja sempre mais fiel e credível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia.

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