30 DEZ 2014

O ano da Paz

Com o início do Tempo do Advento teve início também o ANO DA PAZ que deverá ser um momento para ajudar na superação da violência e despertar para a convivência mais respeitosa e fraterna entre as pessoas. Ele foi aprovado por unanimidade durante a 52ª Assembleia Geral da CNBB, em 2014, e se estenderá até o Natal de 2015.

Dom José Belisário da Silva, Vice Presidente da CNBB, manifestou a preocupação da entidade com o nível de violência da sociedade brasileira. Para ele, é uma questão complexa que envolve herança histórica, injustiça estrutural, tráfico de drogas e exclusão de uma camada grande da sociedade.

O secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, afirmou que as relações mais próximas, na atualidade, encontram dificuldade de manterem-se vivas e que há uma violência generalizada. “Violência que se manifesta na forma da morte de pessoas, na falta de ética na gestão da coisa pública, na impunidade. A violência, a falta de paz, provém do desprezo aos valores da família, da escola na formação do cidadão, do desprezo da vida simples”, explicou.

Todos nós sentimos a violência que está presente no nosso dia a dia: no trânsito, nas ruas, nas escolas, no mundo dos esportes, nos estádios, nas famílias, entre os jovens, contra mulheres, crianças e idosos. Já não sabemos mais como reagir diante deste sentimento que toma conta das pessoas. Construir a paz começa por nós mesmos. É preciso que saibamos cultivar gestos de paz, de harmonia, de fraternidade. Diz ainda D. Leonardo que o Ano da Paz deverá nos ajudar na superação da violência em todos os níveis. Despertar para a convivência cortês, fraterna. Para termos mais urbanidade, despertemos para a irmandade, conforme nos ensinou Jesus. Dom José Belisário considera que as comunidades devem ser criativas e propor as iniciativas conforme a realidade de cada uma. “Nós queremos no Ano da Paz que rezemos, reflitamos, peçamos a paz… Um momento forte de evangelização, de reflexão, de pergunta ‘por que está acontecendo tanta violência?’”, sugeriu.

Jesus é o Príncipe da Paz. O Tempo do Advento é justamente para entendermos a profundidade da paz que Ele nos trouxe ao entrar na nossa história pelo Mistério da Encarnação. O evangelista Lucas registra o teor do canto dos anjos na noite do nascimento de Jesus: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos homens do seu agrado!” (2,14). As palavras e gestos de Jesus sempre produziram paz. Lembremos dos momentos em que Ele curou, perdoou pecados, anunciou o Reino de Deus, pregou o amor, a autenticidade do coração, a transparência, etc.

Poderíamos afirmar com Papa Francisco que “os ídolos do domínio e do poder deterioram as relações, arruínam a harmonia a ser construída com humildade serviçal e disposição maternal. Os conflitos, a violência, a indiferença diante da morte, nascem do fascínio do domínio e do poder” (cf. Papa Francisco, Vigília de Oração pela Paz, 07?09/14). Vamos viver com alegria este advento e vamos levar a paz que brota de Jesus Cristo e seu evangelho a todas as instâncias da nossa vida.

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