09 AGO 2019

Bispos indianos pedem "esforço de paz e reconciliação" para Caxemira

Cidade do Vaticano

"A situação na Caxemira é delicada e exige um esforço de todos, pela paz e a reconciliação, para que não degenere em conflito: hoje acompanhamos  a situação com a nossa oração. Expressamos a nossa proximidade ao povo da Caxemira, que novamente vive dias de tensão e sofrimento. Com esperança de uma evolução pacífica dos acontecimentos, rezamos pela paz na Caxemira e em toda a Índia".

Este foi o sentimento expresso por Dom Theodore Mascarenhas, bispo auxiliar de Ranchi - e que recentemente concluiu seu mandato como secretário geral da Conferência Episcopal da Índia – ao comentar à Agência Fides a atual situação reinante na Caxemira, e que causa grande preocupação e atrai a atenção também da comunidade católica da Índia.

Câmara Baixa

 

Com uma medida aprovada pela Câmara Baixa do Parlamento indiano, a Índia revogou o "status especial" da Caxemira garantido pela Constituição de 1947. A região no noroeste da Índia, o único Estado indiano com maioria muçulmana (68% população local de 14,5 milhões de habitantes), passará a ser um "território da União", isto é, administrado pelo governo federal, por meio de um representante do executivo.

Risco de radicalização 

 

A decisão gerou protestos e distúrbios no território, que com a medida perde a sua autonomia. Segundo declarou à Agência Fides padre Shaiju Chacko, porta-voz da Diocese de Jammu-Srinagar - única católica na Caxemira - "a decisão poderia gerar um ulterior sentimento de distância e de alienação entre a população local e o governo central, aumentando a "instabilidade interna e os riscos de radicalização violenta, especialmente entre os jovens",  em uma área em que grupos jihadistas e extremistas já organizaram atentados no passado.

Desordens e protestos

 

No Estado, foram registradas desordens e protestos e as forças de segurança indianas  - o governo enviou 50.000 novos soldados, além dos 60.000 já existentes -  prenderam mais de 500 pessoas, para evitar riscos de outras manifestações de rua e possíveis ataques terroristas.

Dada a tensão elevada, cerca de 20 mil entre peregrinos e turistas foram retirados da Caxemira, que está isolada de contatos externos. Em um clima social de muita tensão e instabilidade, observa padre Shaiju Chacko, "a Igreja convida à prudência, a não de deixar levar por tendências violentas e manter a calma. Continuamos a trabalhar, em nível pastoral e social, pelo bem da população. Pedimos ao governo de Nova Délhi um gesto de confiança e de reconciliação em relação à população local, que já sofreu demais".

A condenação do Paquistão

 

Enquanto isso, com uma nota oficial do Ministério das Relações Exteriores, o Paquistão "condena e rejeita fortemente" a decisão da Índia, classificando-a  como "um passo unilateral inaceitável". Ademais, Islamabad reafirma seu "apoio político, diplomático e moral" à causa da Caxemira e seu "inalienável direito à autodeterminação".

Fonte: Vatican News

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