24 JUN 2017

Papa: ícone dos missionários é Madalena, mulher "em saída"

O Papa Francisco recebeu em audiência neste sábado (24/06) os cerca de 30 membros da Congregação da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, por ocasião do seu Capítulo Geral, que teve como tema "Testemunhas da presença do Senhor Ressuscitado: da comunidade ao mundo".

Filhos espirituais de Bogdan Janski, apóstolo dos polacos emigrados na França durante o século 19, os Ressurreccionistas nasceram para testemunhar que a ressurreição de Cristo é o fundamento da vida cristã, para anunciar a exigência da ressurreição pessoal e apoiar a comunidade na sua missão ao serviço do Reino de Deus. No seu discurso Francisco deteve-se em três expressões: A primeira foi: “Testemunhas da presença do Senhor Ressuscitado”, ou seja, missionários, apóstolos de Jesus Vivo. E Francisco propôs como ícone Maria Madalena, a apóstola dos apóstolos que, depois de ter encontrado Jesus Ressuscitado, o anuncia aos outros discípulos, levando-lhes a alegre notícia que Cristo está vivo e tem o poder de vencer a morte e dar-nos a vida eterna. E acrescentou:

“Daqui tiramos uma primeira reflexão: a nostalgia de um passado que pode ter sido fecundo em vocações e grandioso em obras não vos impeça de ver a vida que o Senhor faz brotar ao vosso lado no momento presente; não sejais homens nostálgicos, mas homens que, movidos pela fé no Deus da história e da vida, anunciam a vinda do amanhecer, mesmo em plena noite; homens que sabem proclamar que Cristo está vivo e é o Senhor”

Além disso, continuou Francisco, Maria Madalena e as outras que com ela vão ao sepulcro são mulheres "em saída", que abandonam o seu "ninho" e se põem a caminho, sabendo arriscar. O Espírito chama também vós a ser “homens em caminho”, um Instituto "em saída” para as periferias humanas, lá onde é necessário levar a luz do Evangelho, enfim, a buscar o rosto de Deus lá onde se encontra, não nos sepulcros mas na comunidade e na missão, sublinhou o Pontífice.

A seguir Francisco falou da expressão “Da comunidade ao mundo”. Como os discípulos de Emaús (exortou Francisco aos Ressurreccionistas) deixai-vos encontrar pelo Ressuscitado quer individual quer comunitariamente, sobretudo nas estradas da desilusão e do abandono. Na verdade, reiterou o Papa, aqueles que acreditam no Ressuscitado têm a coragem de "sair" para levar a Boa Nova da Ressurreição, assumindo os riscos do testemunho, como fizeram os Apóstolos.

Um modo concreto de manifestar e anunciar a ressurreição, explicou o Papa,  é a vida fraterna em comunidade, ou seja, acolhendo os irmãos que o Senhor nos dá, porque desde que Cristo ressuscitou já não é permitido olhar para os outros de maneira humana, mas olhar e acolher os outros como dom do Senhor, ressaltou Francisco:

“Exorto-vos a ser construtores de comunidades evangélicas e não meros “consumidores” delas; a assumir a vida fraterna em comunidade como a primeira forma de evangelização; as comunidades sejam abertas à missão e evitem a auto-referencialidade, que conduz à morte”. E os problemas – que sempre há - não vos sufoquem, mas possais cultivar a "mística do encontro" e procurar, com os irmãos que o Senhor vos deu, a forma e o método de seguir em frente, sem nunca deixar faltar o testemunho da vida fraterna em comunidade, num mundo dilacerado e agressivo”.

A terceira expressão que o Papa considerou foi “Profetas de alegria e de esperança  pascal”. O Senhor ressuscitado derramou nos discípulos duas formas de consolação, disse o Papa: a alegria interior e a luz do mistério pascal. A alegria de reconhecer a presença do Ressuscitado vos introduz na sua pessoa e na sua vontade, e por isso conduz  à missão, disse ainda o Papa:

“Ressuscitados para ressuscitar, libertados para libertar, gerados a uma vida nova para gerar vida nova em todos os que encontramos no nosso caminho. Esta é a vossa vocação e missão de Irmãos da Ressurreição”.

E a terminar Francisco convidou os consagrados a fazer memória grata do passado, a viver o presente com paixão, e a abraçar o futuro com esperança:

“Grata memória do passado, mas não arqueologia, porque o carisma é sempre uma fonte de água viva, não uma garrafa de água destilada; paixão para manter sempre vivo e jovem o primeiro amor, que é Jesus; e esperança, porque sabemos que Jesus está connosco e guia os nossos passos como guiou os passos dos nossos fundadores”.

Que a Virgem Maria, que de forma singular viveu e vive o mistério da Ressurreição do seu Filho, vigie como uma mãe no vosso caminho, e também vos acompanhe a minha bênção. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim – concluiu Francisco. (BS)

(from Vatican Radio)

Compartilhe esta publicação
Nossas redes sociais
Top