27 MAR 2020

Coronavírus. Cardeal Ouellet escreve às Clarissas de Assis

Cidade do Vaticano


“A pandemia que nos isola em casa é a vossa hora, a hora da vida contemplativa que reconduz a humanidade e a Igreja a Deus, ao essencial da fé, à oração e à comunhão no Espírito”: assim escreve o prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet, numa carta endereçada a Madre Agnese, priora do Proto-Mosteiro das Clarissas de Assis – terra de São Francisco –, na região italiana da Úmbria.

Trata-se de uma missiva almejada pela própria religiosa que pediu ao purpurado que escrevesse algumas palavras às monjas, nestes tempos que se tornaram difíceis com a difusão do coronavírus.

Presença das religiosas, um bálsamo de ternura e de paz

Esta “é a hora da vida contemplativa”, afirma o cardeal Ouellet, porque, no momento em que, apesar do heroísmo dos médicos e dos agentes de saúde, “muitas famílias sofrem a doença e a morte de seus entes queridos na solidão”, as contemplativas se colocam “à cabeceira” dos doentes, o Espírito alarga o coração delas “até as fronteiras mais recônditas da humanidade que sofre”.

A presença das religiosas, tão “discreta e difusa”, é “um bálsamo de ternura e de paz nas chagas” da humanidade.

Guardiãs da esperança e mensageiras de paz

Hoje, se vive imobilizados “pela mundialização da indiferença” e cegos pelo culto ao dinheiro; mas essa “paralização planetária que se assemelha a uma quaresma universal interpela a consciência de cada um e o obriga a “abrir-se a perguntas mais essenciais”, olhando para o amor “criador e redentor” de Cristo, um amor “sem fronteiras e sem limites”, afirma o cardeal Ouellet.

Enquanto esposas do amor do Redentor, o prefeito vaticano exorta as Clarissas de Assis a ser guardiãs da esperança e mensageiras de paz, em particular para com “as vítimas mais sofredoras”.

Presentes em todos os lugares de dor e de esperança

De fato, abraçar Cristo, recorda o purpurado citando Santa Teresa Bendita da Cruz, significa “estar presente em todos os lugares de dor e de esperança”. Graças a esse amor, as contemplativas podem “deslocar as estrelas e mover as montanhas”, porque elas estão “na linha de frente da Igreja em todas as batalhas do Espírito”.

A vida delas, iluminadas pelo amor de Cristo, sustentada pela escuta de Jesus e pela oração ao céu, permite a “sacerdotes e leigos às presas com as urgências do hospital de campanha, resistir”, conclui o purpurado canadense. “Cuidai de nós na vossa oração, junto ao Sucessor de Pedro, sobretudo nesta hora de pandemia”, pede por fim o prefeito da Congregação para os Bispos.

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